sábado, 1 de outubro de 2016

“CANELITE”: UM MAL QUE ACOMETE QUASE 15% DOS CORREDORES; Veja.

Manifesta-se por dor na face interna e posterior do terço médio-distal da perna. A sua etiologia definitiva é desconhecida, porém existem evidências de seu surgimento em virtude de um atrito ou sobrecarga na borda póstero-medial da tíbia que gera uma periostite (inflamação do periósteo – membrana inervada e vascularizada que reveste o osso) desencadeando o quadro álgico.

Ocorre a Inflamação do periósteo da tíbia, dos tendões e músculos da tíbia (especialmente sóleo, tibial posterior, flexor longo dos dedos e tibial anterior) que pode se tornar fratura por estresse. Essa dor normalmente está relacionada ao impacto repetido da corrida, que gera microtraumas nesta parte do corpo. É comum em atletas que praticam futebol, ciclismo, corrida e ginástica artística.
As periostites relacionadas à atividade física ocorrem devido à tração (força tênsil) que os músculos exercem sobre o periósteo. Os músculos são fixados na superfície do osso e cada vez que o músculo se contrai ou quando se alonga muito, ele traciona na região do osso. Isso ocorre repetitivamente e, se o periósteo não tiver resistência suficiente, pode ser considerado sobrecarga e iniciado um processo inflamatório (periostite). No caso dos esportes, um treino progressivo, que respeite a individualidade de cada praticante, vai permitir que o periósteo, e outros tecidos, progressivamente se tornem mais fortes e mais capazes de suportarem os rigores do treinamento e do esporte minimizando a chance do atleta desenvolver esta lesão.
Existem  dois locais mais comuns para a periostite na tíbia. O primeiro é na região medial (interna) da perna. Nesses casos afirma-se que a lesão é a Síndrome do Estresse Tibial Medial. A outra possibilidade é na região anterior (frente) da perna. Nesses casos afirma-se que a lesão é a Síndrome do Estresse Tibial Anterior.
Na Síndrome do Estresse Tibial Medial, o músculo tibial posterior é o principal responsável pela lesão. Esse músculo se fixa na região medial da perna e sua repetida exigência em certas atividades físicas pode provocar periostite. Por outro lado, esse é um dos músculos no controle da pronação do pé. Quando ocorre uma pronação excessiva esse músculo tende a ser alongado e pode se contrair para controlar a pronação. Isso resulta numa contração excêntrica, que põe ainda mais carga sobre o periósteo (força tènsil). Esses são os dois mecanismos (exigência repetida e contração excêntrica) pelos quais pode se iniciar a Síndrome do Estresse Tibial Medial. Outros músculos que podem estar envolvidos na Síndrome do Estresse Tíbia Medial são o sóleo e o flexor longo dos dedos.
Devemos ter mais cuidado com o sóleo, tanto no seu fortalecimento quanto no seu alongamento específico.
Já a Síndrome do Estresse Tibial Anterior acontece devido ao tracionamento (força tênsil) do músculo tibial anterior, o músculo da frente da perna. O uso constante e repetitivo do músculo irá, então, causar a Síndrome do Estresse Tibial Anterior.
O equilíbrio cinético e o sinergismo das ações dos músculos tibial anterior e sóleo são de fundamental importância para evitar a SEMT. A Síndrome do Estresse Tibial Medial pode vir a se tornar uma fratura por estresse se não for tratada.
AS PRINCIPAIS CAUSAS SÃO:
  • Aumento excessivo no volume e/ou intensidade de treinamento, como também treinamento sem orientação de um profissional de educação física.
  • Pessoas iniciantes no esporte ou que mudaram de atividade recentemente e o excesso de peso.
  • A Fraqueza dos músculos dos membros inferiores , como também a falta de alongamento dos músculos da panturrilha.
  • Pisos duros e compactados como concreto e asfalto. Evite também terrenos acidentados, pois aumentam significativamente o risco de inflamação na região da tíbia.
  • Pés hiperpronados e hipersupinados.
  • Correr inclinando o tronco para frente.
  • Tênis inadequado para o seu tipo de pisada.
A apresentação clínica da SETM é muito parecida com a fratura por estresse, sendo a diferenciação determinada por exames complementares como ressonância magnética, cintilografia óssea ou tomografia computadorizada.
No tratamento desta síndrome, a fisioterapia quando a lesão está instalando-se, uma vez que a progressão da mesma pode implicar em graves consequências, como, por exemplo, uma fratura tibial ou até mesmo uma síndrome compartimental, na qual há redução dos fluxos sanguíneo e demais líquidos.
Além disso, é imprescindível que a causa seja encontrada. Para tal, uma avaliação fisioterapêutica postural minuciosa deverá ser realizada, incluindo testes e análises biomecânicas laboratoriais.
Deve-se dar preferência para tênis específico para corrida de acordo com a pisada de cada indivíduo.
Para avaliar o tipo de pisada de cada atleta profissional ou recreativo, a baropodometria (indicação de palmilhas específicas) poderá contribuir preventivamente ou para o retorno às atividades após recuperação.
O treino deve sempre evoluir gradativamente e deve ocorrer, de preferência, sobre superfícies mais macias. Também é de extrema importância a realização de alongamento antes e após a atividade física, bem como o fortalecimento prévio da musculatura, especialmente da perna.
A postura correta associada à boa respiração durante a corrida contribui para uma corrida mais saudável auxiliando na prevenção de lesões.

Fonte : Revista Muscle & Fitness

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