quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Quem são os corredores de verdade?

De um tempo para cá tenho escutando várias vezes a expressão “corredores de verdade” e confesso que tento entender o que as pessoas querem dizer com isso. Outro dia li que havia um circuito de provas somente para os corredores de verdade e fiquei pensando qual critério utilizariam para aceitar ou não as inscrições. Tempo em provas? Distância já concluída? Número de quilômetros rodados na semana?

Inscreva-se para a corrida e caminhada City América dia 26/11/2017 
Inscreva-se aqui: https://goo.gl/pspEQ3
Na minha concepção, conheço corredores de elite e amadores. Os de elite são aqueles que vivem profissionalmente da corrida, cuja atividade é sua fonte de renda e sua prioridade na vida. É lógico que além da corrida também possuem família, outros deveres e atividades, mas enquanto atletas de elite, a corrida será sempre o principal.
São aqueles que nasceram geneticamente favorecidos, cujos primeiros resultados de testes e provas superam de longe os melhores resultados da maioria das pessoas esforçadas e com longos anos de treino. Tive um aluno que com pouco tempo de treino orientado correu 32 minutos baixo nos 10 quilômetros. Tempo cuja maioria de nós mortais só poderá fazer em sonhos. Ganhou algumas provas e subiu ao pódio em outras importantes, mas com o tempo e a realidade que vivia na época, teve que decidir entre a corrida e o trabalho em uma empresa, optando pela segunda.


Já os amadores são aqueles que gostam de correr, que treinam corrida bem ou não, que evoluem bem ou não, sobretudo conforme a disciplina e aplicação nos treinos, mas cuja atividade principal de vida não é a corrida. Incluo neste grande grupo o profissional liberal, o estudante, a mãe de família, o empresário, o pedreiro, o gerente, o administrador de empresas e milhares de outras pessoas que possuem outras profissões, independente de fazerem dez quilômetros abaixo de 40 minutos ou de uma hora.


Ser elite ou não tem total ligação com a genética e em seguida com a opção de vida do cidadão. Sem o primeiro quesito é impossível ser elite, por mais esforçado que o indivíduo seja. É como um cidadão que tem 1m70 de altura querer treinar para chegar aos dois metros. Também é verdade afirmar que com a genética e sem a aplicação nos treinos dá pra fazer bons resultados e impressionar por algum tempo, mas não dá pra ir muito longe.
Quem são? - Já o grupo dos tais “corredores de verdade”, pelo que escuto e leio de algumas fontes, acredito que por elas inclua os corredores de elite e também um misto de um amador que corra bem e seja aplicado nos treinos. Um maratonista amador sub três horas, por exemplo, ou uma moça que tem outra profissão, mas que corra dez quilômetros sub 45min ou uma meia abaixo de 1h40.
Para quem não é elite, é muito difícil atingir determinadas metas. Naturalmente será necessária bastante aplicação nos treinos e muitas renúncias, mas aí eu pergunto aonde encaixamos aqueles corredores acima do peso, sem qualquer biótipo, que não chegam a participar de muitas provas, ou que correm maratona acima de 4h30, mas que encontramos todos os dias correndo às 6h30 da manhã ou mais cedo? E aquele senhor de 70 anos que corre todos os dias no parque e não mais participa de provas? Seria justo dizer que estes não são corredores de verdade?

Quem é mais “corredor de verdade”, aquele que nasceu favorecido pela genética e que corre dez quilômetros em 45 minutos mesmo sem treinar muito, ou aquele cujos pais são obesos, que sofre de hipertensão, de obesidade, que trabalha várias horas por dia e se esforça para correr dez quilômetros em uma hora?
Divisão dos amadores - Se tivesse que fazer uma divisão mais justa entre os amadores, os dividiria entre os que têm boa genética para a corrida e que treinam sério, os que não têm boa genética para a corrida, mas que também treinam sério, os que correm mais para se divertir, relaxar e ampliar sua rede de relacionamentos, mas que não treinam tão sério e os que inventam as mais variadas desculpas para não treinar direito e ou correm por modismo.
Talvez dividir entre corredores sérios, não tão sérios e não sérios, independente de nível técnico, mas dizer que só é “corredor de verdade” quem faz tempo abaixo de X, quem corre de tanto por semana para cima e quem corre visando performance, particularmente acho uma grande injustiça com os milhares de corredores esforçados que acordam cedo todos os dias para treinar. Também com os que treinam na hora do almoço ou ao final de um duro dia de trabalho e que muitas vezes em função de suas limitações genéticas e de agenda, treinam com muito mais sacrifício que os que correm mais forte ou maiores distâncias por semana.




0 comentários:

Postar um comentário