sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

As mudanças no coração de quem corre;Veja

anatômicas adquiridas com a corrida. O exercício físico praticado de forma crônica pode promover alterações cardiovasculares e cardiorrespiratórias, as quais, em geral são reversíveis com a interrupção do treinamento.
Conforme tipo, intensidade, duração e frequência do treinamento físico, podem ocorrer adaptações nas estruturas do coração, a fim de garantir maior performance esportiva.

Como outros músculos do corpo, o músculo do coração pode tornar-se forte, musculoso, ou seja, hipertrofiar-se (aumento do espessamento do coração) ou dilatar-se (aumento do volume das cavidades do coração), como resposta a sobrecarga que lhe é imposta. O treinamento esportivo pode gerar adaptações cardíacas estruturais e funcionais, principalmente em fundistas, com maior probabilidade genética. Portanto, nem todos os corredores irão apresentá-las.
Na corrida, há sobrecarga de volume sanguíneo. O coração deve bombear grande quantidade de sangue para os músculos, para que o corredor continue o exercício e, para isso, ocorre dilatação das câmaras cardíacas. Se o corredor pratica, por exemplo, exercícios de força, poderá apresentar também o espessamento das paredes do coração.
Essas alterações anatômicas podem ser interpretadas incorretamente como patológicas. Às vezes, para diferenciá-las, são necessários exames de imagem e descondicionamento físico por três meses.   Em alguns casos, nem mesmo o ecocardiograma consegue identificar esse remodelamento cardíaco, sendo necessária ressonância cardíaca para maior esclarecimento diagnóstico.
Após o destreinamento, exames de imagem são repetidos e comparados. Assim, o médico do esporte poderá definir o diagnóstico corretamente.
As adaptações mesmo sendo fisiológicas podem ser excessivas e gerar maior risco de morte cardíaca súbita no corredor. Esse limiar entre eficiência adaptativa e adaptação excessiva prejudicial é o mais difícil de ser identificado. Em geral, avaliações e exames periódicos devem ser realizados para garantir um treinamento seguro.
Outra adaptação é a frequência e o ritmo do coração. Em treinados, o batimento do coração é lentificado no repouso, o que chamamos de bradicardia. Durante o treino, o batimento não aumenta tão rapidamente quanto no destreinado, demorando mais a atingir a frequência cardíaca máxima e tolerando maior tempo de exercício aeróbico.
Há alterações benignas comuns no eletrocardiograma de corredores bem condicionados aerobicamente como bloqueio atrio-ventricular de primeiro grau, ritmo atrial ectópico, repolarização precoce, entre outras. Alterações que, em não atletas, podem ser consideradas anormais e merecem investigação.
Outro efeito crônico do exercício aeróbico é a redução da pressão arterial sistólica em torno de 7 mmHg e, por isso , o exercício pode ser usado para tratamento de hipertensos.
A correta avaliação do coração do corredor pelo médico do esporte é fundamental. As alterações anatômicas e funcionais do coração, decorrentes do exercício, podem ser confundidas com doenças do coração e, quando mal interpretadas, pode limitar a prática esportiva e desqualificar o atleta em competições.

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